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Escritor Dr. Gustavo Dantas de Melo de Borda da Mata lança sua 4ª obra literária

Na noite de 28 de dezembro, na Casa do Compadre, o Procurador de Justiça aposentado, Dr. Gustavo Dantas de Melo, lançará, oficialmente, o seu novo livro “GARIMPANDO CORAÇÕES”. É uma coleção de estudos, reflexões, crônicas, poesias, poemas, versos, trovas, quadras e pensamentos que brotam dos sentimentos mais íntimos vividos pelo ser humano.
O seu filão, diz o escritor, “se encontra no mais profundo da alma e do coração”. Daí o título da quarta obra do escritor bordamatense.
O Tribuna Popular, agradecido pelo convite, cumprimenta o advogado, Dr. Gustavo Dantas de Melo, por mais esta realização em sua carreira jurídica e cultural.
Prazerosamente, traz à lume crônica que faz parte de seu novo livro (páginas 173/174).

SOLUÇÃO A LONGO PRAZO (Gustavo Dantas de Melo)

Leitor amigo, ainda no século passado, em maio de 1.999, quando era diretor do “Jornal A Cidade”, publiquei matéria de minha lavra. Apesar do decurso de vários anos, continua com sabor de atualidade.
É o retrato do Brasil de hoje, massacrado pela corrupção escancarada nos escândalos apurados pela “Operação Laja Jato”.
Desde os tempos da escola primária, aprendemos que o Brasil é um país “gigante”, porém, “deitado eternamente em berço esplêndido”. De fato, somos um país continental, de imensas e incalculáveis riquezas naturais e terras cultiváveis. Não temos vulcões, nem sofremos as conseqüências da fúria de furacões, abalos sísmicos, ódios, conflitos, revoluções e guerras.
A despeito de todo esse potencial fabuloso, das condições favoráveis da natureza e ainda favorecidos pela índole pacífica de nossa gente, o Brasil não acorda do sono que o entorpece. Permanece deitado e não se levanta nunca, apesar do berço esplêndido.
Por que não são convenientemente exploradas essas terras e riquezas naturais?
Por que não se consegue extrair delas os recursos para pagar nossas dívidas externa e interna?
– É que uma nação onde a corrupção se escancara acintosamente nos altos escalões do governo, favorecendo banqueiros e poderosos; onde os políticos não abrem mão de suas mordomias, superfaturam obras e extorquem dinheiro até de miseráveis camelôs; onde mesmo juízes cometem escândalos vergonhosos, parece não haver salvação. A lição do saudoso jurisconsulto Rui Barbosa continua com o sabor de indiscutível atualidade:
“… De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir da honra e a ter vergonha de ser honesto”.
Nossa dívida externa fica cada vez maior, apesar dos juros pagos em dolorosa sangria de recursos que diminui os orçamentos da União, Estados e Municípios. Em conseqüência, os programas de saúde, educação, transporte e assistência social são sacrificados e, não bastasse isso, o sofrimento do povo aumenta, porque o governo obriga empresários, funcionários e assalariados a pagar a conta e cobrir todos os rombos dessa orgia de gastos públicos. Não há política econômica por mais eficiente capaz de tapar o ralo da corrupção, por onde escorre o dinheiro do nosso país.
Até quando vamos ouvir falar em crise, falências, favorecimentos, corrupção, escândalos e impunidade? Haverá remédio para o mal de que padece o Brasil?
– Acredito, sinceramente, que não há solução de curto prazo. A doença é crônica e a engrenagem política, cancerosa e podre, cheira mal. A cura só virá a longo prazo. É um problema de educação, de formação do cidadão brasileiro, de modo a se conseguir uma mudança de mentalidade. O surgimento de um novo Brasil, com políticos e governantes honestos, é tarefa de muitos anos de trabalhos de pais, professores, educadores e homens de boa vontade, forjando cidadãos honestos, de elevado padrão cívico e moral.
Infelizmente, no Brasil vigora a famosa “Lei de Gerson”. A mentalidade do brasileiro é a de “levar vantagem em tudo”. Não importa que o governo de qualquer nível fique onerado, desde que o favorecido possa alcançar algum proveito, e – quem sabe – dividir com outro uma parte do benefício indevidamente conseguido.
Do jeito que a política é feita em nosso país, com as famosas barganhas “toma lá, dá cá”, “voto se você me der isto ou aquilo”, promessas de empregos e outras benesses, tantas vezes afastando os mais competentes, não se pode esperar governo honesto e criterioso. A prática de favorecimento aos poderosos é a paga da cobertura dos gastos da campanha política. Por isso que banqueiros sempre mandaram e mandam em nosso país. O superfaturamento de despesas e obras, a “caixinha” e outros expedientes escusos nada mais são do que meios de recuperação do dinheiro investido na compra de votos.
Quando isto vai acabar?
– Só quando a honestidade for a regra de ouro praticada por governantes e governados. Quando cada cidadão se conscientizar de que o seu voto é questão de honra. Quando não houver promessa, vantagem ou dinheiro capaz de comprá-lo.
O Brasil tem jeito, mas, como é muito difícil mudar tudo isso, a solução só virá a longo prazo.

Borda da Mata,
10 DE MAIO DE 1999.

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