Refluxo ataca 20 milhões no Brasil
Mudanças simples de hábito e de alimentação podem ajudar.No quarto da costureira Malu de Souza Ferreira, as listas telefônicas servem como apoio da cama. Ela só dorme bem se o colchão estiver inclinado.
?Desde que tive o problema de refluxo, eu coloquei a cama assim. O médico pediu para levantar a cabeceira. Eu levantei e nunca mais tirei?, conta a costureira Malu de Souza Ferreira.
Ela também toma remédios receitados por um médico e tem que controlar a alimentação. Quando foge da dieta, se arrepende. ?Às vezes queima tanto que vem até a garganta. Não só no esôfago, quando dá a crise brava?, comenta.
Malu sofre de refluxo esofágico, uma doença que afeta 20 milhões de brasileiros. O refluxo atinge o esôfago, um tubo com uma musculatura na extremidade, chamado esfíncter esofágico, que abre para a comida descer ao estômago e fecha para evitar que alimentos e sucos gástricos retornem ao esôfago.
O refluxo ocorre quando o esfíncter deixa de funcionar corretamente e os sucos gástricos voltam, causando lesões na parede do esôfago e sensação de mal-estar. Na maioria das vezes, o problema é provocado pela má alimentação.
?É uma doença urbana. Está associada a estresse, má alimentação, falta de atividade física, obesidade, consumo de alimentos que possam piorar esses sintomas como café, refrigerante, chocolate, bebida alcoólica, fritura?, explica o gastroenterologista Felipe José Coimbra
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Mas quem resiste a um petisco depois do expediente? O problema é que nem sempre os encontros ficam só no aperitivo.
?No rodízio você ficar duas, três horas comendo e dá indigestão?, admite o coordenador de desenvolvimento de software Leonel Basílio.
?Tem que vir depois um comprimidinho ou alguma coisa para melhorar a sensação de que estou muito cheia?, diz a bancária Uiclecia de Oliveira Lima.
As receitas caseiras após os exageros com a comida e a bebida incluem ainda os antiácidos. Eles costumam trazer alívio na hora mas podem mascarar problemas mais sérios no aparelho digestivo. Quando os sintomas como azia e queimação se tornam rotina, é hora de se preocupar e procurar um médico.
O gastroenterologista diz que duas noites de mal estar por semana já são um alerta. Segundo ele, quem ignora esses sinais corre mais riscos de ser vítima de câncer no esôfago.
?Um dos tipos de câncer de esôfago está associado diretamente ao refluxo é um dos tumores que mais tem crescido em incidência no Ocidente. O importante é que a maioria das pessoas que têm refluxo ou doença do refluxo esofágico não vai ter uma complicação mais séria. Ela não deve se preocupar, deve procurar o seu médico, fazer o acompanhamento rotineiro de tempo em tempo para fazer a prevenção?, aponta o gastroenterologista Felipe José Coimbra.
Às vezes os sintomas do refluxo são tão extremos que podem ser confundidos com um infarte. Os médicos dizem que os remédios criados para o tratamento do problema são muito eficientes. Mas ressaltam: eles só tratam dos sintomas. Para resolver o problema, só mesmo mudando os hábitos de vida.
Fonte: g1.com








