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Borda da Mata estrutura políticas para o turismo, capta recursos e projeta crescimento para o setor

Cidade volta a integrar Mapa Nacional do Turismo e capta ICMS do setor pela primeira vez. Rotas locais e integração regional são estratégias para alavancar o segmento

Quando, em 2017, o município de Borda da Mata elegeu o turismo como um dos pilares de seu desenvolvimento econômico, a cidade acabara de deixar o Mapa do Turismo Brasileiro. Tinha início uma operação de resgate e aprimoramento da estrutura de formulação e fomento de políticas públicas para um segmento. Naquele mesmo ano, o município retornou ao Mapa do Turismo, sendo reintegrado ao Circuito Turístico das Malhas do Sul de Minas, composto por outros cinco municípios da região.
Dois anos depois, o município começa a colher os primeiros frutos do intenso trabalho realizado desde então. Este ano, o município voltou a figurar na nova versão do Mapa do Turismo Brasileiro, editado a cada dois anos, e recebeu, pela primeira vez em sua história, verba de ICMS do Turismo.
São apenas os primeiros passos, mas importantíssimos ao apontar a direção da caminhada. O valor do ICMS, por exemplo, cerca de R$ 18 mil, pode parecer pequeno, mas, além de poder ser revertido em iniciativas importantes para o setor, é o indicativo de que o município começa a trilhar um caminho para atração de recursos não apenas públicos, mas também privados para um setor que tem alta capacidade de empregar e gerar renda.
“Ter o nosso potencial turístico reconhecido nacionalmente, é uma garantia de investimentos públicos e privados e a certeza de consolidar um segmento econômico extremamente dinâmico em nossa cidade, responsável por empregar muitas pessoas e fazer girar nosso comércio, atraindo renda para a cidade”, avalia o prefeito André Marques.
2017 marcou nova postura do município no Turismo
Desde 2011, o município de Borda da Mata ensaiava dar início a uma política pública mais consistente voltada para o turismo. Mas depois de aprovar leis para regulamentar o setor e o Conselho Municipal de Turismo, Comtur, os esforços ficaram estacionados.
Foi em 2017 que o turismo de fato passou a ser tratado como um dos pilares da estratégia de desenvolvimento econômico local.”Todas as leis foram revistas e atualizadas; o Comtur foi reativado e todas as demais ações foram realizadas. O município voltou a integrar (o Circuito Turístico das Malhas e criou um fundo para o setor”, explica a assessora de Comunicação e Turismo da Prefeitura, Edna Motta.
Rotas turísticas
Desde então, o município mapeou todos os segmentos locais com potencial turístico, criando rotas específicas para elaborar estratégias específicas de abordagem. Com base em sua dinâmica indústria têxtil e de malhas, a Capital do Pijama traçou sua ‘Rota da Moda’; destino de peregrinos que perfazem o Caminho da Fé, Caminho da Prece e, recentemente, o Caminho de Nhá Chica, traçou a ‘Rota Religiosa’. Onde estão concentrados bares e restaurantes foi traçada a ‘Rota Gastronômica’ e as estradas, trilhas e montes que recebem turistas praticantes de esportes integram a ‘Rota de Aventura’. Há ainda a ‘Rota da Cidade’, que abrange prédios, monumentos e locais tradicionais do município.
As cinco rotas estão em fase de implantação. O trabalho é realizado pelo Comtur. A partir das rotas, o município terá mais uma ferramenta para captação de recursos e poderá desenhar políticas públicas específicas para cada segmento.
Mas a importância das rotas pode ser avaliada do ponto de vista prático: elas ajudam a “estruturar e dar opções ao turista” e do ponto de vista estratégico, no longo prazo: “trabalhar o turismo é uma tarefa de longo prazo, porque além das políticas públicas, os principais agentes são da iniciativa privada, que precisam enxergar as oportunidades e acolher quem passa pelo município, por isso, o Conselho Municipal é tão importante, pois tem representantes da comunidade”, explica Edna Motta.
Com o engajamento de todos, a expectativa é que o impacto positivo na economia alcance diversos setores, especialmente os segmentos de comércio e serviços, que, atualmente, respondem por 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do município. “É como uma onda que pode começar em um hotel, segue para uma padaria, um restaurante, bar, uma loja de roupas e vai ter impacto até na indústria”, considera o prefeito André Marques.
*Integração regional*
A partir do desenvolvimento do turismo local, Borda da Mata também se insere de forma estratégica nas articulações regionais, se integrando aos corredores turísticos que somam forças e se complementam na atração de turistas.
É questão pacífica entre os gestores públicos e privados que nenhuma cidade se desenvolve sozinha. “O próprio movimento de viajar faz com que o turista conheça e explore vários destinos. Por isso, a integração das cidades do Circuito das Malhas, por exemplo, aumenta o potencial da região e atrai mais pessoas”, explica Edna Motta.
Ela conta que, em meio à tendência de integração regional, há um forte movimento no Sul de Minas com a união de três circuitos: das Malhas, Serras Verdes e Caminhos da Mantiqueira. A ideia é que a região tenha projeção nacional e esteja presente no portfólio das principais agências de turismo.
No final de julho, representantes dos três circuitos se reuniram em Pouso Alegre, no evento “Minas Recebe”. A iniciativa foi promovida pela Associação Comercial daquela cidade (Acipa) e Sebrae e contou com a participação da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo.
O objetivo central do encontro foi o de nortear os trabalhos dos municípios no tocante à adoção de políticas públicas e investimentos em atendimento e infraestrutura do trade turístico (rede hoteleira, receptivos, restaurantes).
O encontro reuniu cerca de 80 pessoas, entre empresários, secretários de turismo, vereadores, prefeitos e vice-prefeitos. O diretor de Eventos e Turismo da Acipa, Rolando Brandão Filho, deu o tom do horizonte pretendido pelos gestores: “O Sul de Minas precisa aparecer nas prateleiras de agências e feiras de viagens, pois o potencial é enorme.”
Para a assessora Edna Motta, o evento de Pouso Alegre é o pontapé inicial de uma união estratégica. “O encontro inicia um movimento com o Turismo da região de Pouso Alegre para desenvolver este setor tão importante para a economia das cidades e organizar os destinos turísticos”, conclui.

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