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Tributo à Memória de Newton Brandão

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A notícia da morte do ilustre conterrâneo, Newton Brandão, aos 83 anos, percorreu, velozmente, pela nossa cidade, na manhã do dia 25 de dezembro, por coincidência data comemorativa do nascimento de Jesus, nosso Salvador. Sempre entendi que nada acontece por acaso. Acredito que, se pudéssemos escolher, dia melhor do que o Natal não poderia existir para o epílogo de nossas vidas, quando nascemos para a vida eterna.

Inicio esta homenagem, registrando esta coincidência, convencido de que, Deus, em seus desígnios, houve por bem escolher a data do seu Aniversário para festejar o encontro definitivo com este seu filho honrado. Newton Brandão, segundo narrativa de seus familiares, visitava uma de suas filhas em Campinas, na noite de Natal e, pela madrugada, acometido de possível infarto, veio a falecer, enquanto dormia. Fato doloroso para seus familiares e amigos, mas, por outro lado, também significativo para aqueles que, cheios de fé no coração, buscam penetrar na razão última dos acontecimentos.

O extinto era natural de Borda da Mata, filho dos saudosos Demercindo da Costa Brandão e Ana Pinto Brandão, família numerosa, com vocação política, conceituada e querida em nossa terra, onde seu irmão, Milton da Costa Brandão foi prefeito e Antônio Carlos Brandão (Tote), vice-prefeito. Fez seus estudos primários em sua cidade natal, depois, os secundários, no “Colégio São José” de Pouso Alegre e “Liceu Coração de Jesus” da cidade de São Paulo. Mais tarde, mudou-se para a “Cidade Maravilhosa”, doutorando-se pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Anos depois, constituiu sua família, casando-se com Maria Pires da Costa Brandão, de cuja união duradoura teve três filhas: Ana Josefina, Maria Cláudia e Patrícia, todas elas já casadas e que lhe deram netos: Fernanda, Eduardo e Gabriela, (filhos de Ana); Aline (de Cláudia); finalmente, Pedro e Mateus (de Patrícia).

Ainda jovem, foi para Santo André/SP, onde passou a exercer sua profissão de médico, conquistando clientela e fama. O “Dr. Brandão”, como lá era conhecido, foi uma personalidade marcante que se distinguia pelo seu bom humor e alegria. Sempre que o encontrava, pude observar o seu sorriso franco, que emoldurava o rosto de um homem feliz e realizado. Este temperamento alegre, característica de sua personalidade, demonstrava a sua disposição interior de “proporcionar um sentimento de bem-estar às pessoas”, o que revelou em histórico discurso registrado em ata, quando a Câmara Municipal andreense lhe outorgou o título de cidadão honorário.

Conversava com todo mundo, na sua simplicidade de homem bom e profundamente humano. Como médico influente, bem sei, tanto socorreu os humildes e muitos de seus conterrâneos, em suas angústias e problemas da grande cidade. Gostava de contar suas piadas, tão bem como seu irmão Garcia, algumas delas inesquecíveis, que me fizeram rir a valer. Jamais vou esquecer das suas boas gargalhadas e da felicidade que transmitia a todos nós! Era um bom papo, de homem inteligente, culto e conhecedor profundo da vida política, em qualquer nível, seja municipal, estadual ou federal.

Seu carisma de médico solidário, seu jeito de ser, agradável e comunicativo e sua vocação para a vida pública levaram-no a se candidatar a Prefeito de Santo André, com vitórias consagradoras, em três eleições, exercendo mandatos nos períodos de 1969/1973, 1983/1988 e 1993/1996, todas pelo PTB. Também foi Deputado à Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, em dois mandatos, findos em 1.994 e 2002, sempre brilhante, destacando-se como uma das reservas morais da vida política paulista. Seus adversários, não inimigos, jamais puderam acusá-lo de qualquer deslise e o respeitavam como verdadeiro homem de bem.

Considerado um dos políticos mais eficientes e capazes daquele município, porque em seus mandatos realizou, dentre as maiores, inúmeras obras públicas responsáveis pelo desenvolvimento da cidade e da região. Em reconhecimento a este seu grande trabalho em favor de sua terra adotiva, foi laureado com a comenda de cidadão honorário de Santo André, em sessão legislativa realizada na Câmara Municipal, em 27 de maio de 2008, ocasião em que fez preciosa revelação contida no histórico discurso retro mencionado.

Morto o ilustre “Dr. Brandão”, o prefeito Aidan Ravin , interpretando os sentimentos dos munícipes andreenses, decretou luto oficial por três dias. Por decisão da família, seu corpo foi sepultado no Cemitério Santo André, na Vila Humaitá. Justa e correta homenagem à terra onde viveu a maior parte de sua vida e que tão bem o acolheu como filho.

Por tudo isto, agora olhando para a foto que registra seu sorriso marcante, quero lhe dizer: “Você, amigo Newton, fará muita falta. Homens como você, da sua estirpe, são raros no mundo de hoje, cheio de maldades e devassidão! Você fez a diferença e será sempre lembrado, não exclusivamente por sua esposa, filhas, netos e parentes, mas também pelos inúmeros amigos”.

A todos da família, quero apresentar sentidos pêsames e o faço também em nome dos nossos conterrâneos, que, com certeza, comungam dos mesmos sentimentos que ora tento expressar nesta singela homenagem.

Que Deus, e somente Ele pode, amenize a dor de cada coração ferido, com o bálsamo de Sua graça e de Sua proteção!

 

Amigo, na paz do Senhor, descanse em paz!”

 

Gustavo Dantas de Melo

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